Sobre Expresso!
28/03/2011 às 18:32:19
Não sei dizer exatamente quando ou como surgiu o conceito dessa série na minha cabeça, mas tenho certeza que foi por volta dos meus 11, 12 anos. O herói era um garoto inventor que criava, obviamente, máquinas que lhe davam vantagem contra seus inimigos. Eu concebia a história de forma simples: ele viajava com um dirigível, a la Peter Potamus, ao lado de um mecenas conhecido apenas pelo seu título de nobreza (o Conde. Conde de quê? Ah, desde quando um garoto se preocupa com isso?), o seu mordomo Agoro um gigante negro de perfil similar ao Lothar de Lee Falk e um velhote que pilotava o veículo e cujo nome nem me lembro mais direito. Eles encontravam aventuras ao redor do mundo, em um cenário que olhando bem, não tinha muito foco: os aventureiros viajavam, encontravam ameaças e depois seguiam viagem. Simples assim.
Acabei deixando de lado as aventuras clássicas de Adriano, fruto de um garoto que preferia o Tio Patinhas de Barks à Mônica (um me oferecia o mundo, o outro o quintal de casa. Preferi o mundo), quando veio a adolescência e os super-heróis que acabaram me estimulando a pegar no lápis e fazer minhas próprias histórias em definitivo. Frank Miller e
John Byrne, dois autores muito distantes entre si, acabaram fazendo minha cabeça em um tempo em que eles, sim, eram os melhores. E por muito tempo pensei que meu destino criativo era fazer super-heróis. Obviamente eu era um adolescente que não sabia nada da vida. Mas acabei sendo salvo: eu estava estudando Desenho de Artes Gráficas no Senai/RJ e passei a ter acesso imediato a duas gibiterias: a Gotham City (que não existe mais, e era aonde que eu passava horas e horas conversando fiado) e a Gibiteria e Bárbaras Magias, que na época permanecia solidamente no edifício Av. Central na Avenida Rio Branco. E acabei descobrindo os mangás, que na época eram publicados espelhados e em formato americano pelas editoras gringas, em um momento em que eu começava a me dar conta de que estava lendo os super-heróis no piloto automático. Me libertar deles levou tempo.
John Byrne, dois autores muito distantes entre si, acabaram fazendo minha cabeça em um tempo em que eles, sim, eram os melhores. E por muito tempo pensei que meu destino criativo era fazer super-heróis. Obviamente eu era um adolescente que não sabia nada da vida. Mas acabei sendo salvo: eu estava estudando Desenho de Artes Gráficas no Senai/RJ e passei a ter acesso imediato a duas gibiterias: a Gotham City (que não existe mais, e era aonde que eu passava horas e horas conversando fiado) e a Gibiteria e Bárbaras Magias, que na época permanecia solidamente no edifício Av. Central na Avenida Rio Branco. E acabei descobrindo os mangás, que na época eram publicados espelhados e em formato americano pelas editoras gringas, em um momento em que eu começava a me dar conta de que estava lendo os super-heróis no piloto automático. Me libertar deles levou tempo.Em algum momento acabei desenvolvendo vários conceitos que nada tinham a ver com gente de malha colante, em profusão. Muitas dessas idéias jamais sairiam da gaveta. Mas aquele universo de garotos inventores que remetia às velhas sessões da tarde do passado, de filmes como Robur, o Conquistador e Os Primeiros Homens na Lua jamais saiu por completo da minha mente. Ele só precisava de alguma ordem estabelecida na minha cabeça.
Eu a encontrei quando ao pesquisar melhor, topei com o tema Edisonade.
Edisonade é um subgênero de aventura infanto-juvenil que surgiu no século XIX através do romance The Steam Man of Prairies, de Edward S. Ellis. Essa história jamais teve continuações oficiais, mas criou um personagem definitivo: Johnny Brainerd. Um jovem inventor de 11 anos, simultaneamente anão e corcunda, que constrói um robô movido a vapor para auxiliá-lo na busca de um tesouro que salvará sua família de problemas financeiros e não será uma tarefa fácil.
Essa idéia acabou se tornando aquilo que no jargão hollywoodiano é conhecido como alto-conceito e se encaixou direitinho no subgênero de aventura que surgia e que seria conhecido como boy heroes, que consistia efetivamente de colocar um garoto fazendo o papel que cabia a um adulto. Surgiram assim garotos soldados, garotos detetives (os mais perenes até hoje), garotos exploradores
não é preciso dizer que o garoto inventor se juntou a esse bando com facilidade, e o maior sucesso em território americano foi sem dúvida a série de dime novels (revistas baratas com novelas ligeiras; tinham esse nome por custar um dime ou seja, dez centavos de dólar; na inglaterra, esse tipo de material era conhecido como penny dreadful) Frank Reade, criada por Harry Enton e que, após seu esgotamento de público, foi assumida pelo escritor cubano radicado norte-americano Luis Senarens, que em um dos primeiros casos de reboot de uma franquia em nossa cultura pop, deu um salto de décadas, introduziu um filho de Reade rigorosamente igual ao pai e ainda criou um título concorrente dentro da editora o jovem inventor Jack Wright (nada a ver com os irmãos Wright, na verdade; ele foi criado em 1891).
A popularidade do gênero cairia com a Primeira Guerra Mundial, muito por causa da ressaca causada pelo conflito, que jogou no lixo as esperanças depositadas sobre a tecnologia; os garotos detetives tomaram sua frente (apesar de um dos últimos garotos inventores a surgir dentro desse contexto, o Tom Swift de Victor Appleton criado em 1910 ter sobrevivido à primeira guerra e gerado, como se tornou convenção do gênero, uma linhagem de filhos e netos; sempre que o personagem se esgotava, bastava fazer o pai pendurar as chuteiras, dar um salto de anos e iniciar uma nova série mostrando as aventuras do filho, e por aí vai).Isso tudo me deu base para construir um universo aonde jovens inventores existem ao redor do globo. Ele foi se detalhando bem ao longo dos anos. Brainerd e Reade serão personagens ou melhor, o terceiro Frank Reade o será (ele é um personagem interessante demais para ser ignorado, mas lendo friamente as aventuras do personagem, podemos reinterpretar seus atos sob uma nova ótica), e Brainerd estará morto (mas sua lembrança é perene neste universo; ele é praticamente como o astro do rock que ao morrer, leva um bando de garotos a pegar numa guitarra). Infelizmente não posso usar Tom Swift ele é o mais conhecido de todos eles hoje em dia, nos países de língua inglesa, mas continua na estrada até hoje; por outro lado, ele é de 1910 e não apareceria mesmo. Mas por outro lado, Expresso! não é a Liga Extraordinária de Alan Moore. Eu estou criando um cenário de aventura, não um jogo pós-moderno de palavras cruzadas. Meu foco é outro.
Artigos posteriores neste blog vão apresentar um pouco do cenário, mas eu posso dizer claramente: Expresso! será uma série Steampunk, e Steampunk ao meu ver é ficção científica. Não teremos misturas nesse sentido.
Eu apresentei Expresso! pela primeira vez em um projeto de quadrinhos se bem me lembro em 2004 conhecido como Ação Total. O projeto não deu em nada por motivos que prefiro não comentar, mas ano passado ele veio à tona em papel através do conto A Música das Esferas, publicado na antologia Steampunk da editora Tarja. Ele é parte da continuidade da série, mas deixa isso pra depois.
A série gira em torno de Adriano Monserrat (o t removido de Montserrat é para deixar claro que, apesar do enorme tributo que temos que prestar à teledramaturgia que definiu a percepção que temos dessa época no Brasil, focinho de porco não é tomada e eu não estou me apropriando de personagens alheios; já disse que não estou fazendo palavras cruzadas. O meu personagem é o meu personagem, não um galã de novela em sua versão adolescente de uma dimensão alternativa), um jovem inventor que no ano de 1901, tem como objetivo ser reconhecido e deixar uma marca no mundo. Para isso, ele pretende se juntar ao Clube dos Jovens Inventores, e claro, no caminho fará vários amigos e inimigos, além de encontrar grandes desafios que o levarão a todos os cantos do país e do planeta.
Eu quero antes de mais nada fazer um grande quadrinho de aventura e ficção científica; se vou conseguir, serão vocês que vão julgar. E aqui no meu blog vocês passarão a acompanhar o desenvolvimento do projeto. No começo ele tenderá a ser um pouco mais errático, mas a medida em que as coisas forem esquentando, as postagens serão mais frequentes. Postarei imagens, falarei sobre o cenário, sobre os personagens, e eventualmente eu farei alguns artigozinhos falando de materiais que serviram de referência e influência preciosa para o material.
E de resto, espero que vocês estejam aqui comigo.
Feliz século novo e bem vindos ao ano de 1901.
